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quarta-feira, 20 de julho de 2011

Triste Fim de Waltrudes

Não a conhecia pessoalmente, mas, me comovi com a sua história.
 Ou melhor, com o triste final de sua história, divulgada pela imprensa e comentada pelas pessoas que a conheceram.
 Chamava-se Waltrudes e morava em Barra Velha, no centro da cidade, pertinho do mar. Vivia só.  Tinha muitas amigas, com as quais compartilhava  trabalhos solidários,  passeios pelas areias da praia, horas agradáveis conversando num banquinho defronte a pastelaria, ao lado do prédio em que morava,  tardes agradáveis ao redor de uma mesa bem arrumada, para tomar um café "bem-conversado".... Era assim,  tranquila e serena a vida  da Dona Waltrudes.
Comentava com as amigas, que tinha medo do mar! Jamais ousava vestir um maiô e banhar-se nas águas nem sempre mansas do mar de Barra Velha. No máximo, caminhar pela praia.
Passaram-se muitos verões, outonos, primaveras e mais uma vez, chegou o inverno. Queixava-se do frio! O inverno também chegava na sua vida! Os anos e a solidão começaram a pesar para a Dona Waltrudes.
 Começou a sentir muita falta de carinho, aconchego e principalmente de atenção dos que mais amava e não estavam junto dela, mas a queriam levar...Dona Waltrudes não conseguiu suportar a idéia de deixar a sua querida Barra Velha, as amigas, a praia, o trabalho solidário ao qual se dedicava com tanto amor, o mar....e ir morar em outra cidade!
E numa fria madrugada, de uma cinzenta e chuvosa segunda-feira, as câmeras do prédio em que morava, registraram a imagem da saída solitária de Dona Waltrudes, para o seu último passeio pelas areias da praia;  vestia somente um roupão, caminhando ao derradeiro encontro com o mar, que a abrigou em suas àguas frias e revoltas, num abraço em que Dona Waltrudes se despediu dessa vida, do alto de seus 82 anos.
 Seu corpo nu como veio ao mundo, foi resgatado das águas do mar de Barra Velha na mesma manhã de segunda-feira, no porto dos pescadores.  Ela foi buscar a paz no mesmo mar que ela tanto temia! 



Crônica escrita por Asta Martins

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